Toda clínica de diagnóstico por imagem que cogita ter uma ressonância magnética chega à mesma bifurcação: comprar o equipamento ou locar. A discussão costuma começar pelo preço de tabela, mas esse é o número que menos explica a decisão. O que pesa de verdade é o custo ao longo de dez anos, o volume de exames que a clínica consegue sustentar e o risco de ficar com uma tecnologia defasada.
Este artigo organiza a decisão para clínicas, centros de imagem e hospitais privados. Ele não defende que locar é sempre melhor, nem que comprar é. Mostra que perguntas fazer, que dados da literatura ajudam e onde a conta costuma ser mal feita.
O preço do equipamento é só uma parte do custo
Uma ressonância não é um ativo que se compra e se liga na tomada. Ela exige sala própria, blindagem de radiofrequência e campo magnético, climatização dedicada, energia estável, equipe especializada e manutenção contínua. Por isso, a ferramenta usada na gestão de equipamentos é o custo total de propriedade (TCO, do inglês total cost of ownership), que soma tudo o que se gasta do investimento à desativação.
Dois trabalhos publicados ajudam a dimensionar essa ideia, ambos com limites claros de aplicação ao Brasil:
- NIH Clinical Center (EUA), 2020. Em um modelo de TCO apresentado no congresso da ISMRM, construído para um conjunto de ressonâncias em unidades ambulatoriais, de internação e de pesquisa, a compra de um equipamento respondeu por cerca de 17% do custo total ao longo de 10 anos, e os recursos humanos operacionais (agendamento, recepção, tecnólogos, técnicos e enfermagem de contraste e supervisão; o tempo de interpretação dos médicos ficou de fora), por cerca de 35%. A conclusão da autora é que o TCO serve para revelar custos escondidos e comparar cenários de gestão.
- Hospital universitário na Índia, 2020. Um estudo de custeio de ciclo de vida, assumindo 10 anos de vida útil, calculou o custo por exame e estimou o ponto de equilíbrio do serviço ao fim do terceiro ano.
São cenários de países, regimes de preço e perfis de serviço diferentes do mercado privado brasileiro. Os percentuais e o prazo não devem ser transpostos para a sua clínica. O que se transpõe é o método: o equipamento é uma fração do custo, e o restante está em equipe, manutenção, estrutura e utilização. É o mesmo raciocínio que vale para outros ativos hospitalares, como mostramos no artigo sobre o custo total de propriedade da cama hospitalar.
Os cinco fatores que decidem entre locar e comprar
1. Capital disponível e custo de oportunidade
Comprar exige desembolso (ou financiamento) logo no início, além das obras da sala. Esse capital poderia estar em equipe, marketing, outras modalidades ou em reserva de caixa. A locação, no modelo de equipamento como serviço (EaaS, do inglês equipment as a service), transforma o investimento (CAPEX) em despesa mensal (OPEX), o que muda a pergunta de "tenho como pagar?" para "a receita mensal cobre a mensalidade com folga?".
Isso não torna a locação mais barata. Ao longo de todo o contrato, quem loca costuma pagar mais do que o preço do equipamento, porque a mensalidade remunera capital, risco e serviços embutidos. A questão é se esse custo adicional compra algo que a clínica valoriza: caixa preservado, previsibilidade e transferência de riscos.
2. Volume de exames e ponto de equilíbrio
O ponto de equilíbrio é o número de exames por mês em que a receita cobre os custos fixos. Em ressonância, os custos fixos são altos e o custo variável por exame é relativamente baixo, o que torna a taxa de utilização o principal motor do resultado: um equipamento subutilizado consome caixa tanto na compra quanto na locação.
Um achado qualitativo útil vem de uma pesquisa sobre arrendamento de ativos em hospitais terciários do Quênia (BMC Health Services Research, 2025): entre as restrições relatadas estavam custos recorrentes elevados, ativos subutilizados e fraca negociação de contratos. O mesmo estudo, de hospitais públicos e em outro contexto, encontrou efeito positivo e significativo do arrendamento sobre a qualidade percebida (β = 0,587), condicionado à governança e ao desenho do contrato. A leitura que fazemos daí, e que é nossa, não do estudo: locar não corrige a falta de demanda, e um contrato mal negociado pode deixar a conta insustentável.
A conta prática tem três etapas:
- Estime os exames mensais que a clínica realmente consegue captar, por convênio e particular, não pelo que a capacidade teórica permitiria.
- Multiplique pelo valor líquido médio recebido por exame.
- Compare com o custo mensal total em cada cenário (parcela de financiamento ou mensalidade de locação, equipe, manutenção, energia, estrutura, laudos).
3. Hélio e tipo de magneto
Os magnetos supercondutores tradicionais usam grandes volumes de hélio líquido. Uma revisão narrativa publicada na Cureus em 2025 descreve esse modelo como gerador de complexidade de instalação e de exposição à volatilidade do fornecimento de hélio, e apresenta como alternativa os desenhos selados. Segundo materiais de fabricantes citados pela revisão, esses desenhos usam volumes de hélio na casa de poucos litros e podem dispensar a tubulação de exaustão, o que, segundo a própria revisão, requer validação externa. Uma recomendação da sociedade internacional de ressonância cardiovascular (JCMR, 2025) também trata o hélio como recurso finito e cita os conceitos de baixo hélio e de baixo campo como caminhos de sustentabilidade.
A mesma revisão é cautelosa: os estudos clínicos independentes são pequenos e heterogêneos, e a equivalência diagnóstica com 1,5 T e 3 T não está demonstrada em todas as aplicações. As economias de hélio e de instalação relatadas vêm de materiais de fabricantes e ainda pedem confirmação independente; trate-as como hipótese a verificar, não como resultado garantido.
Para a decisão entre locar e comprar, a consequência prática é perguntar quem responde pelo hélio. Na compra, perdas e recargas costumam ser risco do proprietário (ou do contrato de manutenção, conforme a cláusula). Na locação, isso pode estar embutido no serviço, e vale exigir que isso esteja escrito.
4. Obsolescência e atualização
Equipamentos de imagem têm ciclo de vida longo, mas software, bobinas e técnicas de aquisição avançam mais rápido do que o equipamento se deprecia. Um estudo de 2025 sobre decisões de substituição de dispositivos médicos (Risk Management and Healthcare Policy) concluiu que a obsolescência afeta a segurança do paciente e a operação, e que fatores clínicos devem orientar o plano de manutenção e substituição.
Há também o efeito sobre o consumo: um trabalho de 2026 na European Radiology Experimental comparou, em um único serviço, dois modelos de ressonância 1,5 T (o antigo e o que o substituiu), com medições de cerca de duas semanas projetadas para 10 anos, e estimou consumo de energia 16,3% menor no equipamento novo, principalmente nos períodos improdutivos. É um caso, não um número geral. Os próprios autores ressalvam que a eficiência energética não deve ser o único motivo para trocar um equipamento.
Quem compra assume o risco de o equipamento envelhecer e a decisão de quando e como substituí-lo. Quem loca pode negociar cláusulas de atualização ou troca ao fim do período, mas deve conferir o que o contrato realmente garante, e não a promessa comercial.
5. Manutenção, disponibilidade e equipe
Parada de ressonância é receita perdida e paciente reagendado. Na compra, a manutenção costuma ser um contrato à parte, e o tempo de resposta, a reposição de peças e a cobertura do magneto precisam ser cotados. Na locação, esses itens podem estar no pacote. Em ambos os casos, o ponto crítico é o mesmo: escopo, tempo de resposta e disponibilidade mínima por escrito.
Os recursos humanos, que no estudo do NIH foram a maior parcela do custo, são em grande parte os mesmos nos dois cenários. Locar não reduz o custo de tecnólogos, recepção e laudos, e esse é um dos erros mais comuns de quem compara apenas parcela contra mensalidade.
Comprar ou locar: quando cada caminho tende a fazer sentido
| Situação da clínica | Tende a favorecer |
|---|---|
| Capital disponível, demanda alta e estável, intenção de manter o equipamento por todo o ciclo | Compra |
| Serviço novo, demanda ainda em construção | Locação |
| Caixa que rende mais em outras frentes do negócio | Locação |
| Necessidade de previsibilidade de custo mensal, com manutenção no pacote | Locação |
| Capacidade de gerir manutenção, hélio e obsolescência internamente | Compra |
| Contrato com cláusulas fracas de disponibilidade e atualização | Revisar antes, em qualquer caso |
A tabela é um ponto de partida, não um veredito. Duas clínicas com o mesmo equipamento podem ter respostas opostas conforme o caixa, a demanda e o apetite por risco.
Sobre tributos: a despesa de locação pode ser dedutível em alguns regimes tributários, mas isso depende do enquadramento da empresa e da estrutura do contrato. Confirme com seu contador antes de incluir qualquer efeito fiscal na comparação.
Perguntas para fazer antes de assinar, em qualquer dos dois caminhos
- Qual o custo total em 10 anos, incluindo obras, equipe, manutenção, energia e hélio?
- Quantos exames por mês são necessários para o equilíbrio, e a demanda da região sustenta esse volume?
- Quem responde por hélio, recargas e perdas, e como isso está escrito?
- Qual a disponibilidade mínima garantida e o que acontece se ela não for cumprida?
- O contrato prevê atualizações de software e hardware? Ao custo de quem?
- Qual o prazo, a multa de rescisão e o que ocorre ao fim do contrato (renovação, troca, devolução)?
- A tecnologia (campo magnético, tamanho do túnel, aplicações) atende aos exames que a clínica realmente fará?
Como a PRIME Health Care entra nessa decisão
A PRIME Health Care apresenta a locação de equipamentos de imagem por meio da Blue Health, prestadora de serviço de locação, para clínicas e hospitais privados de todo o Brasil. A página de locação de ressonância magnética descreve o modelo, o que costuma estar incluído no serviço e as tecnologias de magneto disponíveis, descritas por suas características (campo, hélio, túnel) e não por marca.
Para colocar números na conversa, use a calculadora de locação: você informa o valor do equipamento, a mensalidade, o prazo, o custo do capital, a manutenção e a depreciação, e compara o custo de comprar com o de locar. Ela cobre a parte financeira da comparação; a demanda de exames e a equipe seguem sendo análise da clínica. Os valores de referência da calculadora são ilustrativos; a proposta comercial é que define as condições reais.
Se preferir conversar antes, a equipe pode ajudar a estruturar o levantamento de demanda e os critérios de comparação, sem compromisso com um dos dois caminhos.
Referências científicas:
Jones E. Total cost of ownership is a useful tool for life cycle management of MRI scanners and managing costs in an MRI department. Proceedings of the ISMRM 28th Annual Meeting. 2020.
Sahu A, Vikas H, Sharma N. Life cycle costing of MRI machine at a tertiary care teaching hospital. Indian J Radiol Imaging. 2020;30(2):190-194.
Alenezi MM, et al. A Narrative Review of Advancements in Magnetic Resonance Imaging (MRI) Technology: Evaluating the Shift From Helium-Cooled to Helium-Free Systems. Cureus. 2025;17(11):e96615.
Hanneman K, et al. Society for Cardiovascular Magnetic Resonance recommendations toward environmentally sustainable cardiovascular magnetic resonance. J Cardiovasc Magn Reson. 2025;27(1):101840.
Roletto A, et al. Energy performance of MRI systems: on-site validation and comparison with manufacturer declarations. Eur Radiol Exp. 2026;10(1):3.
Park S, et al. Evaluation of Medical Device Aging and Replacement Decisions within Hospital Environments: A User-Centered Approach. Risk Manag Healthc Policy. 2025;18:2201-2215.
Karino E, Ndegwa J, Were V. Challenges of healthcare quality in Kenya's tertiary hospitals: assessing the contribution and constraints of asset leasing financing mechanism. BMC Health Serv Res. 2025;26(1):10.
Perguntas frequentes
- Vale mais a pena locar ou comprar uma ressonância magnética?
- Não há resposta única. A compra tende a favorecer quem tem capital disponível, volume alto e estável de exames e intenção de manter o equipamento por todo o ciclo de vida. A locação tende a favorecer quem quer preservar caixa, ainda está construindo a demanda, quer previsibilidade de custo mensal ou não quer assumir sozinho o risco de obsolescência e de manutenção. A decisão deve sair de uma comparação do custo total nos dois cenários, com os números da própria clínica.
- Quais custos entram no custo total de propriedade de uma ressonância?
- Além do preço do equipamento: obras e adequação da sala (blindagem, climatização, energia), instalação, equipe técnica e médica, contrato de manutenção, insumos como contraste, energia, sistemas de TI e laudos, atualizações de software e hardware, e eventual reposição de hélio. Em um estudo do NIH Clinical Center apresentado em 2020, o equipamento representou 17% do custo total em 10 anos e os recursos humanos operacionais (agendamento, recepção, tecnólogos, enfermagem e supervisão, sem contar o tempo de interpretação dos médicos), 35%.
- Quanto custa o hélio de uma ressonância magnética?
- O valor depende do tipo de magneto, do fornecedor e do momento do mercado, e não há um número único confiável para citar. O que a literatura registra é que os magnetos tradicionais dependem de grandes volumes de hélio líquido e expõem o serviço à volatilidade do fornecimento, enquanto os desenhos selados reduzem esse volume a poucos litros. Peça ao fornecedor, por escrito, quem arca com recargas e reposição após uma eventual perda de hélio.
- Qual é o volume mínimo de exames para a ressonância se pagar?
- Depende do valor recebido por exame, do custo fixo mensal e do custo variável de cada exame. O ponto de equilíbrio é o número de exames mensais em que a receita cobre o custo fixo (parcela ou locação, equipe, manutenção, estrutura). Um estudo de custeio de ciclo de vida em hospital universitário na Índia estimou equilíbrio ao fim do terceiro ano, mas em um contexto de preços e custos muito diferente do brasileiro. Por isso, o cálculo deve usar a tabela de preços e a demanda da sua clínica.
- A locação de ressonância inclui manutenção?
- Depende do contrato. Nos modelos de equipamento como serviço, a manutenção costuma fazer parte do pacote, mas o escopo precisa estar escrito: preventiva e corretiva, peças, tempo de resposta, disponibilidade mínima (uptime), atualizações e substituição em caso de falha prolongada. Compare o que está incluído com o que, na compra, seria um contrato de manutenção à parte.
- O aluguel de ressonância pode ser abatido do imposto?
- Em alguns regimes tributários, a despesa de locação pode ser dedutível, mas isso depende do regime da empresa e da forma como o contrato é estruturado. Confirme o tratamento com seu contador antes de decidir. Não trate o benefício fiscal como argumento fechado na comparação.
- Ressonância sem hélio ou com pouco hélio vale a pena?
- Os magnetos selados reduzem a dependência de hélio, podem dispensar a tubulação de exaustão e ampliar as opções de instalação. Uma revisão narrativa de 2025 aponta, porém, que os estudos clínicos independentes ainda são pequenos e que a equivalência com 1,5 T e 3 T não está demonstrada em todas as aplicações. A escolha deve partir dos exames que a clínica realmente fará, e não do rótulo da tecnologia.
- Como a PRIME Health Care ajuda na decisão entre locar e comprar?
- A PRIME apresenta a locação de ressonância magnética por meio da Blue Health, prestadora de serviço de locação, e disponibiliza uma calculadora para comparar cenários. Os valores da calculadora são ilustrativos; a proposta comercial define as condições reais.


